Você compete “no mercado” ou “pelo mercado”?

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A competição em Biologia é entendida como uma interação entre organismos ou espécies, em que o condicionamento de um é rebaixado pela presença de outro. Em Economia, competição (ou concorrência, como também é entendida) foi descrita por Adam Smith (considerado o pai da Economia Moderna ao escrever o livro “A Riqueza das Nações” em 1776) e pelos economistas que o sucederam como “a alocação de recursos produtivos que assegura seus mais valiosos usos e encoraja a eficiência”.

A partir do início do século 20 os economistas passaram a distinguir a competição entre a competição perfeita e a competição imperfeita (onde as estruturas de mercado mais conhecidas são competição monopolística, oligopólio e monopólio), concluindo que nenhum sistema de alocação de recursos é mais eficiente do que a competição perfeita. Como consequência, o afastamento do estado de competição perfeita passou a ser entendido como de alocação menos eficiente. E este também passou a ser o entendimento dos órgãos de defesa da competição/concorrência (através das leis anti-truste) mundo afora.

No entanto, em função do rápido desenvolvimento tecnológico da segunda metade do século 20 em diante, a competição passou a ser focada em investimentos em propriedade intelectual, e em muitas das novas indústrias as empresas passaram a se engajar em competição dinâmica pelo mercado – usualmente através da competição em pesquisa e desenvolvimento para desenvolver produtos, serviços ou características que conferem liderança e, então, diminuem ou eliminam os presentes ou potenciais rivais. Desta forma a competição estática em preço/produção no mercado se tornou menos importante. Ou seja, emergiu assim a diferenciação entre a competição no mercado e a competição pelo mercado.

Competição em um mercado/ou no mercado se refere às ações dos incumbentes em um mercado estabelecido, e aquelas de potenciais entrantes que gostariam de vender o mesmo produto. Os instrumentos da competição são preço ou capacidade (competição por quantidade) e outros instrumentos não-preço como propaganda, etc. Isto envolve a criação de barreiras à entrada, diferenciação de produto, integração vertical, etc. Nesta competição a preocupação (em termos de análise) é com o enfoque (estático) da fatia de mercado e se as empresas se engajam em conquista de poder de mercado.   O enfoque da fatia de mercado envolve: 1) definir o mercado relevante; 2) calcular a fatia do mercado; e, 3) inferir poder de mercado significativo (se a fatia de mercado é grande: exemplo, 60%).

Competição por um mercado é definida como um processo de criar um novo mercado baseado em tecnologias inovadoras e/ou novos padrões ou novos modelos de negócios. Isto envolve desafiar os vendedores dos produtos existentes através da introdução de novos produtos ou criação de competição potencial por investimento em facilidades para ofertar um novo produto. Aqui o instrumento de competição não é preço nem capacidade. A medida da competição por um mercado é mais difícil que a medida da competição em um mercado.

As principais características distintivas da competição dinâmica por mercado (que são associadas às indústrias de high-tech, como as TICs) são:

1- Altos custos fixos/baixos custos marginais: nestas indústrias as empresas investem muito para desenvolver seus produtos (principalmente P&D), mas uma vez este investimento sendo feito, é mais barato produzir unidades adicionais;

2- Intensidade de trabalho e capital humano: estas indústrias fazem uso intensivo de insumo de trabalho (em contraposição a capital) e recursos humanos altamente qualificados;

3- Efeitos de rede: nas indústrias em rede, o valor da rede para um consumidor depende, direta ou indiretamente, do número de outros consumidores na rede;

4- Inovação como uma série de corridas winner-take-all (o vencedor pega tudo): a competição em indústrias high-tech envolvem sequências de corridas para desenvolver um novo produto para substituir um produto existente através de inovação. Os vencedores geralmente pegam grandes fatias de mercado e obtêm altos lucros por um período, até que novas corridas se manifestem;

5- Líderes industriais altamente lucrativos: empresas nestes mercados esperam, em média, taxas competitivas de retorno nos seus investimentos de P&D. Para esta taxa de retorno ser competitiva, e se estes investimentos têm sucesso, eles produzem temporariamente poder de mercado – o que possibilita aplicar preços acima dos custos marginais de produção – rendendo uma taxa de retorno supra competitiva vista à posteriori, e, consequentemente, altos lucros.

Neste sentido, cabe então a pergunta do título desta newsletter: afinal (mesmo estando na indústria de TICs), você compete “no mercado” ou “pelo mercado”?

Se você (empresa) estiver interessado em saber mais sobre sua efetiva situação de mercado, fique a vontade para nos contatar!

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