Estratégia para um Mundo em Fluxo

21 13

O que significa Estratégia no mundo de hoje? Abrindo o mais recente número da revista Harvard Business Review- HBR, uma das mais importantes revistas de negócios do mundo, o seu editor, Adi Ignatius, pergunta-se: o mundo dos negócios está se movendo muito rápido de forma que a estratégia possa acompanhar? Para a revista o conceito de Estratégia precisa de um update (uma atualização) e para tanto a revista apresenta três novas perspectivas para capturar e manter vantagem competitiva.

O primeiro texto é da Profa. Rita McGrath, da Columbia Business School, EUA, e autora do livro The End of Competitive Advantage: How to Keep Your Strategy Moving as Fast as Your Business(O Fim da Vantagem Competitiva: Como Manter Sua Estratégia Se Movendo Tão Rápido Quanto Seu Negócio), editado em junho de 2013 pela Harvard Business Review Press. Tentando responder à pergunta antecipada acima por Adi Ignatius, a Profa. McGrath aponta que as grandes mudanças na economia mundial – a revolução digital, o abaixamento das barreiras à entrada nos mercados, e globalização – se combinam para que se torne quase impossível as empresas manterem vantagens competitivas realmente duradouras. Como um resultado, ela argumenta, as empresas necessitam estar constantemente lançando iniciativas de forma que elas possam explorar vantagens “transientes” antes que elas desapareçam. Para ela vantagem competitiva sustentável é agora a exceção, não a regra. Vantagem transiente é o “novo normal”!

E o que dizer sobre o tradicional Arcabouço das Cinco Forças do Prof. Michael Porter? O Prof. Michael Ryall, da Rotman School of Management, Toronto, Canadá, defende no segundo texto da nova HBR que a estratégia está se movendo para além do arcabouço do Prof. Porter. De fato, o Prof. Ryall sugere que um modelo mais duradouro pode evoluir a partir de um obscuro artigo acadêmico de 1996 (citando um artigo de dois autores da Harvard Business School, Adam Brandenburger e Harborne Stuart Jr, que propuseram a “estratégia de negócios baseada em valor”, a qual deu origem a um grande conjunto de literatura em estratégia por economistas matemáticos) que criou a base para a modelagem preditiva matemática das decisões estratégicas. Neste sentido, ele propõe o Value Capture Model - VCM (Modelo de Captura de Valor), um modelo geral de estratégia competitiva que aplica o conceito matemático da teoria dos jogos cooperativos à pesquisa em estratégia de negócios. Para tanto, ele indica duas abordagens analíticas: a distinção entre a “criação do valor” e a “apropriação do valor”, e o abandono da ideia da “cadeia de valor” para adoção do conceito de “rede de valor”, sugerindo “mapas de redes de valor”.

No terceiro texto da nova HBR, o Prof. Todd Zenger, da Olin Business School, EUA, afirma que o propósito da estratégia não é realmente ganhar vantagem competitiva – é desenvolver um enfoque para “criar valor continuamente”. Para ilustrar seu argumento, o Prof. Zenger reproduz um mapa de 1957 mostrando a visão de Walt Disney, que viu que um grande império de entretenimento poderia evoluir melhor ao desenvolver, deliberadamente, sinergias entre suas diferentes ofertas. Neste texto o Prof. Zenger oferece o que ele chama de “teoria das corporações”, que revela como uma dada companhia pode continuar a criar valor. Ou seja, o que ele oferece é mais que uma estratégia, mais que um mapa para uma “posição” (como defende o enfoque do Prof. Michael Porter) – é um guia para seleção de estratégias. Ou seja, “quanto melhor sua teoria, mais sucesso uma organização terá ao reconhecer e compor escolhas estratégicas que alimentem crescimento sustentado em valor”.

E como você pode dizer que sua própria teoria corporativa é boa? Ao lançar esta pergunta, o Prof. Zenger responde que depende da extensão pela qual ele provê o que ele chama de “sights (visores) estratégicos”: foresight, insight, e cross-sight. Estes conceitos podem ser brevemente resumidos como: foresight - a capacidade da corporação articular crenças e expectativas em relação à evolução da indústria e de fazer previsões; insight – a capacidade da corporação estabelecer discernimentos no seu ambiente competitivo; e cross-sight – a capacidade da corporação identificar complementaridades nos seus ativos.

Em resumo, o que se pode ver é que Estratégia é um conceito que está adquirindo novos significados, e entender estes significados pode ser crucial para a sobrevivência nos negócios.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre Estratégia, fique a vontade para nos contatar!

Creativante 2017 - Todos os direitos reservados