Google Trends pode ajudar a prever o nível de atividade econômica?

09 13

Pode parecer uma coisa “maluca” (principalmente para os economistas mais conservadores ou que ainda estão na era pré-Internet), mas a ferramenta denominada Google Trends, ferramenta simples e gratuita baseada nos dados de buscas do Google, pode sim ajudar a prever o nível presente de atividade econômica, e há pelo menos três anos está revolucionando as análises econômicas neste novo mundo do BIG DATA e da Analytics.

Quem afirma isso é nada mais nada menos do que o Prof. Hal Varian, economista internacionalmente conhecido por seus trabalhos em microeconomia, hoje aposentado pela Universidade da California, em Berkeley/EUA, e atualmente o Chief Economist Officer do Google. No ano de 2002 o Prof. Varian foi convidado por Eric Schmidt (ex- Chief Executive Officer) para ser consultor do Google. Desde então ele tem desenvolvido atividades nas áreas de projeto de leilões eletrônicos de propaganda, econometria, finanças, estratégia corporativa e política pública.

Em abril 2009, em co-autoria com Hyunyoung Choi, também do Google, ele escreveu (e publicou no site do Google) uma “versão beta” do artigo intitulado “Predicting the Present with Google Trends” (Prevendo o Presente com Google Trends) (artigo finalmente publicadopor uma revista econômica tradicional, em 2012). Neste artigo os autores avançam a hipótese de que os dados de busca do Google podem estar correlacionados com o presente nível da atividade econômica em indústrias dadas e, por conseguinte, podem ser úteis em prever as subsequentes liberações de dados. Eles defendem que o Google Trends não ajuda a prever o futuro, mas sim ajuda a prever o presente.

Como mostram os autores, o Google Trends provê um índice do volume das buscas/perguntas do Google por localização geográfica e categoria. Os dados da ferramenta não reportam o nível bruto das perguntas para um dado termo de busca. Na realidade eles reportam um “índice de pergunta” (query index). O índice de pergunta começa com a “porção de perguntas”: o volume total de perguntas por termo de busca em uma dada região geográfica, dividido pelo número total de perguntas naquela região em um ponto no tempo. Os números da participação das perguntas são então normalizados de forma que eles comecem a partir de 01 de janeiro de 2004. Números após esta data indicam um desvio percentual da porção de busca no dia 01 de janeiro de 2004.

No artigo em questão, os autores discutem a estrutura estatística relevante à hipótese que levantam. E como exemplo, eles iniciam a análise se baseando nos dados de vendas mensais de automóveis da marca Ford de janeiro de 2004 a agosto de 2008, como reportado na revista Automobile News. Os dados do Google para a categoria Automobile/VehicleBrands/Ford foram usados para o índice de perguntas.

Para que pudessem estabelecer a correlação entre os dados de busca do Google e os dados de vendas de automóveis da marca Ford (o que pode ser, de alguma forma, visualizado pelos gráficos dos dados trabalhados, nas Figuras 1 e 2 à frente), os autores desenvolveram um modelo de projeção, conhecido na área de econometria como modelo “auto regressivo sazonal”. Em resumo, com o modelo encontrado os autores chegaram à seguinte conclusão: o coeficiente da variável Google Trends no modelo implica que 1% de aumento no volume de buscas está associado à aproximadamente 0,5% de aumento de vendas. Os autores ainda apresentam outros exemplos de correlações em outros setores econômicos, tais como vendas no varejo, vendas de imóveis e dados de viagens.

Finalmente, o que pretendemos afirmar com esta breve apresentação da utilização do Google Trends é que, nos dias atuais, com o crescimento no volume, na velocidade e na variedade de dados à nossa disposição, temos que nos valer deste crescente “dilúvio de dados/informações” (e das novas ferramentasque estão emergindo concomitantemente, tais como Google Consumer Surveys, que falaremos em outra oportunidade) para extrairmos novos insights (discernimentos) a partir destes dados/informações.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre novas ferramentas para analítica de dados, fique a vontade para nos contatar!


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